Thirteen Reasons Why de Jay Asher

Uma opinião à obra Thirteen Reasons Why de Jay Asher.

Thirteen Reasons WhyThirteen Reasons Why de Jay Asher
A minha avaliação: 4 de 5 estrelas

Thirteen Reasons Why é a história que todos esperávamos ler na adolescência. A maior parte da nós identifica-se com a ideia da fase conturbada em que nos tornámos o centro das atenções pelos piores motivos. Eu própria passei por isso. Muitas vezes não nos apercebemos do porquê estas coisas estarem a acontecer-nos, mas, regra geral, é algo passageiro: crescemos, saímos da puberdade, tornamo-nos adultos, e as brincadeiras tornam-se demasiado infantis para sobreviverem à maturidade recém-adquirida.

No entanto, para algumas destas pessoas, o abuso e críticas acumulam-se e os rumores ganham a dimensão de uma bola de neve. O efeito desta pode ser devastador, principalmente quando falamos de alguém que já é frágil mental e emocionalmente.

Hannah Baker é uma jovem simples e bonita, que não quer mais nada senão acabar o secundário e ir para a faculdade.

Hannah Baker, Thirteen Reasons Why
Créditos: Netflix

Um rumor iniciado por um colega toma proporções cada vez maiores, e um fio de escândalos e segredos se desenlaça a partir daí, levando Hannah a afundar-se cada vez mais dentro de si mesma e a considerar o caminho mais eficaz para acabar com a dor: o suicídio.

A história é contada pela perspectiva de Clay Jensen, um colega apaixonado por Hannah. Antes de morrer, Hannah gravou 7 cassetes, cujos lados contavam como diferentes pessoas afectaram a sua decisão. Clay recebe as cassetes no correio e, intrigado, corre para a cave para as ouvir. Ao ouvir a voz de Hannah, Clay fica ainda mais melindrado, não entendendo o motivo de ele estar a recebê-las.

“Olá, rapazes e raparigas. Daqui é Hannah Baker. Ao vivo e em estéreo. Sem datas de regresso. Sem bis. E, desta vez, sem pedidos. Espero que estejam prontos, porque estou prestes a contar-vos a história da minha vida. Mais especificamente, o porquê de ela ter acabado. E se estás a ouvir estas cassetes, tu és um desses porquês.

 

Agora, por que uma rapariga morta iria mentir?”

Hannah procede a contar, a partir da primeira cassete, lado A, como tudo aconteceu e quem iniciou os rumores que destruíram não só a sua reputação, mas também a sua vontade de viver.
Porém, Thirteen Reasons Why não trata apenas dos rumores, mas sim de coisas que as pessoas nos podem fazer que nos levam a pensar se a vida realmente vale a pena, se não existe uma forma de acabar com a dor que não seja recorrer ao suicídio. Isto inclui perda de autonomia sobre o próprio corpo, invasão de privacidade e sentirmo-nos usados para os interesses de outrem.


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Eu iniciei a leitura graças à curiosidade despoletada pelo que tenho visto nas redes sociais em relação à série da Netflix.

Identifico-me não só pela curiosidade, mas também o facto de eu própria ter passado por experiências desagradáveis cujos motivos até hoje eu não compreendo.

Experiências semelhantes transformaram-me, assim como a Hannah Baker, numa pessoa mais desconfiada, mais solitário, mais introvertida, distante. Mas a minha história não se desenvolveu com os mesmos rumores que a de Hannah.

Thirteen Reasons Why não é só a minha história, mas a de muitos.

Um rumor pode destruir vidas, é a premissa deste livro. É uma história que nos toca de forma particularmente íntima, embora a narrativa em si não seja formidável ou incomum.

Existem opiniões dos extremos opostos. Algumas pessoas adoraram o livro/série e outras odiaram, alegando que a série romantiza o suicídio.

Não podendo falar da série, apenas do livro, dou a minha opinião:

Acho um livro que trata do assunto de forma pertinente, embora a intenção do autor também seja algo artística. Não acho que, de forma alguma, tenha romantizado o suicídio.

Qualquer parecença com a vida real baseia-se no facto de ter outras pessoas que se identifiquem com isso. Será que este livro convence as pessoas com tendências suicidas a levarem o seu plano avante? Não tenho como dizê-lo, pois não sou especialista na área. Mas eu gostaria de ter lido o livro quando sofri bullying, pois eu saberia que não era assim tão incomum. Eu sabia que o meu eu adolescente teria agradecido ler este livro.

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Author: Íris Santos

Bibliómana desde o berço, com uma queda para o drama. Criei o meu primeiro blog com 13 anos e dedicava-se mais à escrita de poemas do que à análise dos mesmos. Neste entremeio faço uma pausa na leitura e retomo com fervor aos 22 anos. Hoje, com 25 anos, decido dedicar uma maior parte do meu tempo à análise de literatura nacional e internacional emergente e a importância dos clássicos e da relação da literatura com as tecnologias. Gosto, acima de tudo, ler novos autores emergentes de literatura estrangeira sem nunca fugir a um critério de selecção muito pessoal.

  • Já ouvi falar muito da série, mas não fazia ideia que havia um livro! Gostava de ler 🙂

    • Íris Santos

      Olá!
      Sim, a série baseia-se no livro. Já vi todo o tipo de reacções à série e ao livro. Uma inclusive sobre a série ser mais madura, densa e pesada do que o livro. Eu, por outro lado, estou ansiosa para ver a série.

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