Ready Player One de Ernest Cline

Ready Player OneReady Player One de Ernest Cline
A minha avaliação: 5 de 5 estrelas

Sinopse: Em 2044 o mundo tornou-se um lugar triste, devastado por conflitos, escassez de recursos, fome, pobreza e doenças. Wade Watts só se sente feliz na realidade virtual conhecida como OASIS, onde pode viver, jogar e apaixonar-se sem constrangimentos. Quando o criador do OASIS morre, deixa a sua imensa fortuna e o controlo da realidade virtual a quem conseguir resolver os enigmas que aí escondeu. Os utilizadores têm apenas como pistas a cultura pop dos anos 1980. Começa assim uma frenética e perigosa caça ao tesouro.

Nos primeiros anos, milhares de jogadores tentam solucionar o enigma inicial sem sucesso. Até que Wade por acaso desvenda a primeira chave. De um momento para o outro, vê-se numa corrida desesperada para vencer o prémio, uma corrida que rapidamente continua no mundo real e que põe em risco a sua vida.


Ano 2044. O mundo dividiu-se na classe alta e na classe baixa. As pessoas mais pobres vivem em colunas toscamente erguidas com caravanas onde moram. Wade vive numa destas caravanas com a sua tia após a morte da sua mãe. A sua tia e a família com quem Wade mora vêem-no como um intruso, sendo-lhe delegada a lavandaria para dormir.

Durante o dia porém, Owen escapa para o seu esconderijo dentro de uma auto-caravana abandonada debaixo de uma pilha de veículos esquecidos após a extinção das reservas de petróleo. Nesta auto-caravana ele consegue viajar para um mundo virtual ligado à internet através de uma consola e um visor e par de luvas sensíveis ao movimento e toque. Este mundo virtual onde quase toda a humanidade mora para fugir à desgraça e infortúnio chama-se OASIS.

Ready Player One
Créditos: vrandfun.com

OASIS foi criado pelo grande James Halliday, o maior designer de jogos de todos os tempos. Encantado pelos jogos de arcada e consola durante a sua adolescência nos anos 80, James Halliday cria com Ogden Morrow, o seu melhor amigo, o novo sistema e mundo virtuais que mudam o curso inteiro da humanidade. Neste mundo hiperrealista as pessoas criam amizades, apaixonam-se, casam-se, estudam, fazem cursos e tudo o que o mundo real permite a quilómetros de distância uns dos outros.

Mas um dia, James Halliday, sem descendência e tolhido por uma doença grave, anuncia que vai morrer em breve e que irá lançar um desafio aos concorrentes de OASIS. Quem completar primeiro os três desafios será o novo dono daquele universo virtual e de toda a sua fortuna em vida. Mas não é assim tão fácil. Halliday e a sua obsessão pelos anos 80 vão fazer com que o mundo inteiro entre num frenesi, fazendo regressar à moda dessa década: os penteados, a roupa, as séries, filmes e jogos de arcada e consola. Halliday quererá no seu lugar alguém tão obcecado por esta década quanto ele. Atrás dele deixou um legado de milhares de milhões, como todo um mundo onde o vencedor será um deus, omnipotente e omnipresente. No vídeo lançado para iniciar o jogo, Halliday mostra uma quadra por onde toda a aventura começa.

“Three hidden keys open three secret gates
Wherein the errant will be tested for worthy traits
And those with the skill to survive these straits
Will reach The End where the prize awaits”

“(Três chaves escondidas abrem três portões secretos / Onde o errante será testado para recompensas merecidas / E aqueles com a habilidade para sobreviver a estas dificuldades / Chegarão ao fim onde o prémio os espera)”

Durante 5 longos anos todo o mundo de OASIS persegue o objecto desta quadra, mas, com o tempo, a novidade morre e, muitos jogadores, duvidam sequer que o prémio seja mesmo verdadeiro.

Mas um dia alguém consegue. Este alguém é Wade. Vivendo a comida desidratada e sem luz solar, Wade esconde-se neste mundo maravilhoso sob o nickname de Perzival. Assim que Perzival consegue passar pelo primeiro nível e obter a primeira chave, ele sobe no quadro de pontos em primeiro lugar e chama a atenção de toda a gente em OASIS, incluindo de pessoas que não olham a meios para atingir os seus fins.

Os IOI (Innovative Online Industries) são uma empresa que pretende defraudar os jogadores e manipular ilegalmente os acessórios para poderem ter mais vantagens acima dos outros. Os responsáveis, comandados por Sorrento, juntam-se numa luta desenfreada para conseguir ultrapassar Perzival, e isto significa matá-lo na vida real se tal for necessário.

Com a ajuda de outros amigos, Aech, Art3mis, Shoto e Daito, Perzival tenta impedir que os IOI se apoderem de OASIS para fins obscuros e nefastos.

Só um pode ganhar, e Perzival é dos poucos capazes disso.


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Este livro definitivamente será um dos meus preferidos deste ano. A aventura acontece a ritmo frenético, típico das mentes nervosas e desajustadas ao mundo real. O realismo do jogo e a emoção com que Perzival se dedica a OASIS fazem lembrar muito a minha adolescência, o que torna o livro perfeito para quem já foi ou é gamer, geek, ou saudosista apaixonado pelos anos 80.

Não é exactamente necessário perceber o dialecto dos jogos, mas alguma coisa acaba por poder escapar a quem não tem essa experiência. Em síntese, este livro é um hino aos anos 80 e aos videojogos. Um geek não poderia pedir mais do que isto.

Existem algumas falhas menores que realmente não arruínam o livro mas que são uma pequena pedra no sapato para o leitor mais atento.

Uma coisa que realmente me decepcionou um pouco, embora não diminuísse o meu entusiasmo pela história, foi em como havia algumas (até bastantes) situações que pareciam demasiado convenientes para Perzival. Situações em que o passado era explicado no presente para dar a entender que ele tinha como se desembaraçar de alguma coisa que estava a acontecer no presente com algo que ele fez no passado sem no passado haver sequer menção dessa acção por parte dele. Dá quase a entender que havia alguma preguiça na correcção da história por parte do autor.

Mas mesmo com este pequeno empecilho a história é deliciosa, é consumida com uma facilidade incrível que apela ao geek que cada um tem dentro de si.

Mas aviso: aquelas pessoas a quem os anos 80, os videojogos ou a cultura pop não disserem absolutamente nada, provavelmente acharão este livro um sacrifício.

Em resumo, é um livro espectacular.

 

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