Outlander: Nas Asas do Tempo de Diana Gabaldon

Outlander na minha opinião.

Outlander: Nas Asas do TempoOutlander: Nas Asas do Tempo de Diana Gabaldon
A minha avaliação: 5 de 5 estrelas

Ler Outlander é um desafio dantesco, mas a verdade é que me apaixonei pelas personagens.

Claire Beauchamp, enfermeira de guerra, e Frank Randall, professor de história, reunem-se após a separação da Segunda Grande Guerra. Felizes e expectantes, Claire e Frank lançam-se numa segunda lua-de-mel na Escócia, na esperança de descobrir mais sobre a árvore genealógica de Frank.

Nas paisagens húmidas, frias e isoladas da Escócia, Claire e Frank, um casal devoto da razão e lógica, descobre que o país está envolto em mistério numa aura mágica. Passeando pelos horizontes inóspitos de Lallybroch, Claire e Frank ficam a conhecer o círculo de pedras de Craigh na Dun, imbuído de uma magia milenar escondida na fenda de uma das duas gigantescas rochas. Após um ritual sazonal acontecer ao amanhecer, Claire inspecciona as pedras, e a fenda atrai-a com um zumbido ominoso, levando-a a regressar 200 anos no tempo ao tocar-lhe.

Sem ter percepção do que acabara de lhe ocorrer, Claire acredita estar rodeada de actores muito bem caracterizados que se organizaram para a fazer cair num engodo. Fugindo das garras de Black Jack Randall, ascendente directo de Frank, a protagonista consegue encontrar refúgio nos seus inimigos, um bando de rebeldes escoceses que procura fugir ao ímpeto cruel dos dragões ingleses.

Neste grupo de homens sujos, primitivos e fugitivos, Claire conhece o jovem James Fraser, com quem é mais tarde obrigada a casar, se quiser ter uma hipótese de sobreviver e conseguir voltar para o círculo de pedras para poder regressar ao seu verdadeiro espaço temporal.

Mas os dias e as semanas passam e Claire vê-se cada vez mais enredada emocionalmente pelo carácter duro e íntegro de Jamie. Antes que perceba, apaixona-se por ele, mas não sem antes viver incontáveis aventuras fugitivas onde tem de pôr à prova os seus conhecimentos de medicina, assim como a sua resiliência num cenário implacável e inóspito.

Sem ter esta possibilidade em mente, Claire não se apercebe de que ela está prestes a mudar o presente da sua vida passada e até mesmo a história de toda uma nação.


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Com personagens típicos da época, Gabaldon transporta-nos facilmente para a Escócia do século XVIII. Claire é, aparentemente, uma personagem teimosa, irresoluta e fechada, mas com o tempo o leitor percebe que ela é forte, decidida, mas com um âmago sensível e volátil. Sem medo de lutar contra tudo e contra todos, a partir do momento em que ela se apaixona por Jamie, ela está pronta a enfrentar todos os obstáculos.

Jamie é, à superfície, o que se espera de um homem deste século: de valores arraigados, forte e titânico. Porém, mais por vontade da autora do que por força das circunstâncias, Jamie é na verdade um homem com traumas que lhe marcaram com uma profunda fragilidade aberta apenas a Claire. É também íntegro, sensível e ponderado. Algumas características dão-lhe um carácter teimoso, taciturno ou inamovível, mas creio ser algo típico dos homens da época. E é um personagem fácil de gostar. Torna-se fácil descobrir o motivo dos suspiros de tantas leitoras.

Apesar de o romance ser o centro de acção da história, o que realmente adorei foram as descrições das paisagens. A imaginação que nos é concedida por Gabaldon reflecte muito daquilo que poderíamos esperar se o tele-transporte fosse possível.

O romance é, não obstante, muito importante, pois agrega muito valor à vida estranha a que Claire foi atirada. Jamie torna-se o seu centro num lugar frio e desolador e um deixa de conseguir viver sem o outro. Eu poderia alongar-me aqui sobre os perigos da dependência amorosa, mas deixo isso para quem quiser ler o meu artigo Como o Romance Ficcional Afecta a Psique da Mulher.

O único defeito a apontar seria uma pontinha doentia na relação de Claire e Jamie. Porém, estou ansiosa para ler a continuação. Preparar-me mentalmente para as mais de 1000 páginas do segundo volume não será fácil.

E vocês, já leram?

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Author: Íris Santos

Bibliómana desde o berço, com uma queda para o drama. Criei o meu primeiro blog com 13 anos e dedicava-se mais à escrita de poemas do que à análise dos mesmos. Neste entremeio faço uma pausa na leitura e retomo com fervor aos 22 anos. Hoje, com 25 anos, decido dedicar uma maior parte do meu tempo à análise de literatura nacional e internacional emergente e a importância dos clássicos e da relação da literatura com as tecnologias. Gosto, acima de tudo, ler novos autores emergentes de literatura estrangeira sem nunca fugir a um critério de selecção muito pessoal.

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