O Velho e o Mar de Ernest Hemingway

O Velho e o Mar liga-nos à nossa natureza mais resiliente.

O Velho e o MarO Velho e o Mar de Ernest Hemingway
A minha avaliação: 4 de 5 estrelas

Sinopse: Santiago, um velho pescador cubano, está há quase três meses sem conseguir pescar um único peixe, quando o seu isco é finalmente mordido por um enorme espadarte. O peixe imponente resiste, arrasta a sua canoa cada vez mais para o alto mar, na corrente do Golfo, e obriga a uma luta agonizante de três dias que o velho Santiago acabará por vencer, para logo se ver derrotado. Com uma linguagem de grande simplicidade e força, Hemingway retrata nesta aventura poética a coragem humana perante as dificuldades e o triunfo alcançado apesar da perda. Comovente romance, obra-prima de maturidade de Hemingway, O Velho e o Mar recebeu o Prémio Pulitzer em 1953 e desempenhou um papel essencial na obtenção pelo seu autor, um ano mais tarde, do Prémio Nobel da Literatura.


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Tive dificuldade em entrar no ritmo da leitura. O livro tem 79 páginas, portanto quando consegui ganhar-lhe o gosto já tinha praticamente terminado.

Santiago é um pescador pobre, de espírito nobre, esforçado e resiliente. Vive uma vida humilde e simples. Apesar de ser viúvo, Santiago conta com a ajuda de um rapaz. Este rapaz ajuda-o na solidão e na pesca em alto mar.

Antes de se lançar à viagem cujo resultado é uma agonizante luta com um espadarte durante três dias, o velho tinha passado 84 dias sem pescar.

Naquele dia ele mal podia prever o que lhe esperava em alto mar. Um enorme e misterioso peixe morde o seu isco. Dotado de uma inteligência acima do que consideraríamos normal para um animal marinho, o espadarte tenta oferecer resistência percebendo que o Santiago mais quer é que ele se canse para o poder levar para o porto.

Por outro lado, o espadarte arrasta-o cada vez mais para alto mar, levando Santiago a ficar à deriva sem terra à vista. O que se segue são 3 dias de vai-e-vem numa luta infernal entre homem e besta. Santiago luta pela glória do troféu de caça, mas o espadarte luta pela própria vida. Aguentando as condições infernais do calor, frio, desidratação, mãos calejadas e esfoladas pela linha de pesca, o velho consegue aguentar até o espadarte desistir da própria vida, provando ter uma força mental hercúlea.


O Velho e o Mar
Créditos: Filippo Vanzo

O mar e as suas criaturas são lindamente retratadas nesta obra. O ambiente criado à volta da história de Santiago suscitam a misericórdia, admiração, desespero e pânico. Por um lado queremos que o velho consiga pescar o espadarte para que possa ter uma vida melhor, e por outro admiramos a vontade de viver de um animal enorme e belíssimo, que, por sua vez, nos leva a sentir comiseração por tão bela criatura.

A princípio a narrativa parecia-me algo mecânica e sentia falta dos recursos estilísticos aos quais já estou habituada.

A grande mensagem desta grande aventura em alto mar é a capacidade de conseguirmos lutar até mesmo em circunstâncias que à distância nos parecem impossíveis e que a mente é, para além de tudo, o que nos faz desistir antes de sequer termos tentado ultrapassar os limites da força física.

Hemingway é visto, sobretudo, como um escritor pessimista. Neste livro, no entanto, não consigo ver pessimismo senão um belo retrato daquilo que somos capazes e a nossa capacidade de ultrapassar a derrota, por muito dura que seja.

A sua amizade com o rapaz mostra também a união que existe entre diferentes gerações num ambiente inóspito, árduo e antagónico. Por diversas vezes Santiago lembrava-se do rapaz durante a luta com o espadarte. Ficou subentendido, a meu ver, que o rapaz era, sobretudo, a razão motriz pelo qual o velho conseguia manter-se vivo e a lutar pela glória de caçar um espadarte com mais de dois metros e meio.

O que mais apreciei ao virar a última página foi como todos os elementos se complementavam. A escrita sincera e directa de Hemingway combinava em todos os aspectos com o local da acção, que só merecia um retrato fiel e sem floreados. A princípio realmente pensei em dar uma avaliação pior, mas no fim acabou por se tornar uma obra de valor imensurável para mim.

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Author: Íris Santos

Bibliómana desde o berço, com uma queda para o drama. Criei o meu primeiro blog com 13 anos e dedicava-se mais à escrita de poemas do que à análise dos mesmos. Neste entremeio faço uma pausa na leitura e retomo com fervor aos 22 anos. Hoje, com 25 anos, decido dedicar uma maior parte do meu tempo à análise de literatura nacional e internacional emergente e a importância dos clássicos e da relação da literatura com as tecnologias. Gosto, acima de tudo, ler novos autores emergentes de literatura estrangeira sem nunca fugir a um critério de selecção muito pessoal.

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