Isto Acaba Aqui de Colleen Hoover

It Ends with UsIt Ends with Us (Isto Acaba Aqui) de Colleen Hoover
A minha avaliação: 5 de 5 estrelas

Sinopse: O que te resta quando o homem dos teus sonhos te magoa? Lily tem 25 anos. Acaba de se mudar para Boston, pronta para começar um nova vida e encontrar finalmente a felicidade. No terraço de um edifício, onde se refugia para pensar, conhece o homem dos seus sonhos: Ryle. Um neurocirurgião. Bonito. Inteligente. Perfeito. Todas as peças começam a encaixar-se.

Mas Ryle tem um segredo. Um passado que não conta a ninguém, nem mesmo a Lily. Existe dentro dele um turbilhão que faz Lily recordar-se do seu pai e das coisas que este fazia à sua mãe, mascaradas de amor, e sucedidas por pedidos de desculpa.

Será Lily capaz de perceber os sinais antes que seja demasiado tarde? Terá força para interromper o ciclo?


Na noite de funeral do pai, Lily Bloom sobe ao terraço de um prédio de Boston para espairecer a mente. Neste mesmo terraço está um homem que, incauto e distraído, começa a pontapear uma cadeira de polietileno para aliviar a raiva e frustração que sente.

Mais tarde Lily apresenta-se e ficam a trocar impressões sobre a vida e sobre as suas visões mais honestas sobre tudo. Contam verdades nuas um ao outro na ideia de nunca mais se voltarem a ver. É mais fácil desabafar com um estranho que não tem uma imagem prévia e construída de nós, o julgamento é menor.

Ainda assim, tanto Lily quanto Ryle ficam a pensar um no outro quando se separam e seguem com a sua vida.

As circunstâncias acabam por aproximá-los quando a irmã de Ryle passa a trabalhar na nova empresa de Lily. Ryle volta a aparecer e desde aí eles começam a aproximar-se cada vez mais.

Ryle parece ser o homem perfeito; é neurocirurgião, independente, carinhoso, atraente e charmoso. Mas toda esta superfície treme sobre os segredos e a personalidade volátil dele.

Após os primeiros meses de namoro, num pequeno descuido doméstico, Ryle empurra Lily. E esta é a apenas a primeira vez. Lily, narrando entre o passado e o presente, conta que o seu primeiro grande amor foi por um rapaz sem-abrigo, Atlas, que passava algumas horas escondido dentro da sua casa por quem acabou por se apaixonar. A vida levou-os a separarem-se e escreve estas cartas no seu diário na esperança de que um dia possam encontrar-se novamente. Quando Atlas volta a aparecer na sua vida, Ryle aproveita a situação para conjurar na sua cabeça que os dois mantêm um caso amoroso, aumentando o grau de violência sobre Lily.


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Este livro é um caso clássico das consequências e efeitos nefastos da violência doméstica sobre todos os envolvidos, mas, principalmente, as mulheres.

A autora explica, no fim do livro, o motivo que a levou a escrever isto e como era baseado naquilo que viveu às mãos do pai. Os relatos chocam e merecem o aplauso não pela originalidade da narrativa em si, mas por ser algo ao qual todos nos sentimos familiarizados, seja por acontecer na nossa própria família ou ouvido de terceiros. Todos nós conhecemos uma ou mais histórias semelhantes de violência, seja às mãos do homem ou da mulher. Parceiros que aparentemente eram tudo o que nós precisávamos na vida mas que se revelaram agressivos, voláteis, ciumentos e doentios. Collen Hoover quis, com esta história, mostrar que podemos quebrar o padrão, que não temos de deixar essa mensagem de submissão às gerações vindouras e de como podemos ser felizes, mesmo após a viagem pelo inferno.

Lily é forte e independente, mesmo após os constantes traumas vividos em casa. Ela acredita estar imune a isso graças a tudo o que viu, mas o amor cega-a a fá-la acreditar que um pequeno desequilíbrio no temperamento não é nada mais senão uma pequena falha que é possível corrigir. Porém, rapidamente se apercebe que Ryle voltará a magoá-la uma e outra vez, é o início de um ciclo vicioso, onde os limites são arrastados cada vez mais ao limiar da insanidade, que levarão Lily a perder a sua autonomia, o direito à sua liberdade e opiniões. Mas o que gosto mesmo no livro, é que Lily não baixa os braços e decide lutar e dar a volta à questão muito a tempo.

Serve, então, o livro como exemplo de que é possível quebrar o padrão, e há pessoas que o fazem, assim como fez a mãe de Colleen Hoover.

Também adiciono que, embora seja ficção, não devemos levar em conta ou como modelo os relacionamentos abusivos descritos nos livros. Não são saudáveis, não são exemplos de uma paixão arrebatadora, mas sim de um transtorno altamente prejudicial que destróis vidas e famílias.

Disto isto, é um livro que recomendo imenso e será também um dos meus favoritos de 2016. Junho foi um mês muito produtivo no que toca a leituras! 🙂

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