Análise: Wintergirls

Wintergirls de Laurie Halse Anderson
A minha avaliação: 1 de 5 estrelas

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Se vocês quiserem odiar a personagem principal e a autora ao mesmo tempo este é o livro certo.

Lia começa o livro recordando-se da notícia que leu sobre a sua amiga Cassie que morreu abandonada no quarto de um motel. Cassie ligara-lhe 39 vezes na noite anterior, mas Lia não queria falar com ela por qualquer motivo (motivo esse que não fiquei a saber porque parei o livro a meio).

A partir daí é uma história completamente plana, sem sub-enredos, desinteressante, não consegue apelar minimamente à empatia porque Lia é insuportável. Lia vive entre a vida e a morte, num dia está no gabinete da sua psicóloga, no dia seguinte está na enfermaria da escola a recuperar de uma quebra de tensão. Num dia está a comer diligentemente a refeição à frente da família e no dia seguinte está a lamber nos dedos a gordura de uma fatia de pizza para não perder o controlo.
A história teria interesse se tivesse um retrato psicológico mais profundo e engajador. O que acontece é simplesmente uma corrente de acontecimentos sem ligação com o mais profundo nos personagens.

Provavelmente, sabendo que a história em si não tinha o suficiente para vingar, a autora decidiu ser mais engenhosa com a narrativa, mas, uma vez mais, foi um fracasso completo. Inúmeras metáforas feitas para esconder a sua capacidade de escrever um livro atraente,

“I need to run, to fly, beating my wings so hard I can’t hear anything over the pounding of my heart. Rain, rain, rain, drowning me.”

“Cassie’s at the morgue, I guess. Last night she slept there in a silver drawer, eyes getting used to the dark.”

truques pouco ortodoxos feitos para chamar a atenção (como riscar colocar uma linha por cima das palavras que Lia realmente pensa trocando-as por aquilo que lhe é dito de significado mais inócuo). O tema, embora sério e delicado, é contado de forma falsa e desnecessariamente dramática, quase Shakesperiana (sem querer ofender Shakespeare, que era um mestre na sua área e pioneiro), só para apelar aos leitores mais ingénuos e despreocupados com a narrativa.
Ora bem, essa pretensão e truques baratos não funcionam comigo.

Lia é tão irritante, assim como a autora que tenta mascarar a sua pobre execução, que por mim ela teria morrido no livro e me poupado do facto de que ainda faltavam outros 50% para acabar esta perda de tempo.

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