Análise: Radio Silence

Radio Silence de Alice Oseman
A minha avaliação: 4 of 5 stars

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A passagem para a idade adulta e a responsabilidade acrescentada podem ser tão difíceis de conciliar.

Mas, aparentemente, não para Frances. Frances é uma rapariga de 17 anos que desde os 7 sonha em conseguir entrar na Universidade de Cambridge para estudar Literatura Inglesa. Nada a detém e é somente para esse objectivo que ela trabalha.
Ela acredita estar dividida em duas personalidades: a Frances da escola e a Frances verdadeira, que, até aqui, apenas a mãe conhece.
Tenta manter um grupo de amigos após uma quebra abrupta com a sua amiga Carys, cuja história pouco se conhece nas primeiras páginas, mas tem dificuldade em sair da concha e mostrar o seu verdadeiro eu.

No conforto do seu quarto, ela não é apenas uma estudiosa inveterada. Ela gosta de desenhar, ver séries e filmes e, sobretudo, a sua grande fixação é um podcast chamado Universe City, narrado na primeira pessoa pela personagem que dá pelo nome de Radio Silence.
Sem recebermos os exactos detalhes sobre o que é primeiramente o podcast, ficamos a perceber que esta é a obsessão que toma o tempo livre de Frances. Ela faz ilustrações dos lugares mencionados no podcast e das personagens. Ninguém conhece este seu hobby, excepto os seus seguidores no Tumblr e, mais tarde, Radio Silence, que a convida para fazer ilustrações para o podcast.

Num daqueles dias em que tenta socializar com as pessoas que nada lhe dizem, ela vai a uma festa onde o outro aluno condecorado como ela, Daniel, está presente. Daniel leva o seu amigo Aled e, quando Frances se apercebe que ele está bêbado, ele diz, numa voz muito peculiar e familiar a frase “Hello, I hope somebody is listening…”

Mais tarde, aproximando-se de Aled, ela entende que ele é o criador do Podcast e ela diz-lhe que é Toulose, o seu screenname da artista que ele convidou para as ilustrações.

Vivendo frente a frente na mesma rua, passam o Verão juntos e alimentam uma grande amizade. Frances sente-se melhor do que nunca, sente que pode ser ela própria, assim como Aled, que é calado, tímido e reservado. O podcast também ganha cada vez mais popularidade, provando que esta parceria entre ambos é uma benção.
Mas quando Aled vai para a universidade tudo começa a cair por terra: a amizade entre eles, os sonhos de Frances, a paz de espírito de Aled e de todas as pessoas que se vão envolvendo na trama.

O podcast tem elementos de ficção científica. Conta a história de um rapaz que caiu em Universe City e usa ondas de rádio para fazer um apelo ao universo, na esperança de que alguém o resgate. Isolado neste planeta estranho, Radio Silence vai conhecendo outros seres não-humanos, de género indefinido, e vai descobrindo conspirações e hipocrisias que acontecem sob a superfície. Porém, todo este podcast foi feito com um objectivo bastante realista…

A narrativa é bastante agradável de ler, é fácil de consumir e é cativante. Talvez o seja mais por me sentir de certa forma associada a Frances, não pode ser uma super-empreendedora na escola, mas por provavelmente sofrer de algumas dificuldades e dúvidas como ela. Ela tem um segredo que, na minha opinião, deveria ser mais chocante do que a autora escolheu, mas isso não faz com que o enredo seja pior por isso.

Houve algumas falhas em termos de situações que convenientemente ajudaram as personagens, mas nada de muito grave.

Consegui lê-lo em um dia e poucas horas, portanto isso diz bastante e recomendo.

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Author: Íris Santos

Bibliómana desde o berço, com uma queda para o drama. Criei o meu primeiro blog com 13 anos e dedicava-se mais à escrita de poemas do que à análise dos mesmos. Neste entremeio faço uma pausa na leitura e retomo com fervor aos 22 anos. Hoje, com 25 anos, decido dedicar uma maior parte do meu tempo à análise de literatura nacional e internacional emergente e a importância dos clássicos e da relação da literatura com as tecnologias. Gosto, acima de tudo, ler novos autores emergentes de literatura estrangeira sem nunca fugir a um critério de selecção muito pessoal.

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