Análise: Norse Mythology

Norse Mythology de Neil Gaiman
A minha avaliação: 3 de 5 estrelas

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Consigo resumir este livro a algumas palavras-chave: hidromel, banquetes e imaturidade.

Sabem aquelas religiões que se sustentam na suposta preocupação que (os) deus(es) têm pelo povo que criaram? Não é o caso da mitologia Nórdica. Sim, os humanos foram criados pelos deuses, mas a partir daí foi imposta a teoria deísta: um por todos e todos por um, contanto que não sejam omnipotentes, omnipresentes e omniscientes. Existe, porém, uma aura um tanto quanto hedonista nesta mitologia – embora não seja inerentemente mau, na minha opinião.

Os deuses Nórdicos tinham a sua própria vida, os seus próprios dilemas e código moral. As épocas felizes eram regadas a hidromel, banquetes que eram humanamente impossíveis de digerir e pancadaria entre bêbados.

Existem vários deuses, várias figuras mitológicas, como animais e gigantes, mas os personagens que se destacam são os principais deuses mitológicos: Odin, Freya, Loki e Thor.
Todos passam pela sua dose de aventuras, porém Loki gosta delas em excesso; é pernicioso, astuto, malicioso e oportunista, em tudo vê uma oportunidade de tirar proveito para si, enganar, iludir e defender os seus próprios interesses, mesmo que isso signifique vender Freya aos gigantes caso não consiga cumprir a sua parte de um acordo.
Thor, como muitos já sabem, é o deus do famoso martelo Mjölnir, que destrói tudo com o seu impacto, é capaz de mudar de tamanho, encontra sempre o seu alvo e volta a Thor como um boomerang, graças à engenharia de um anão muito hábil. As suas aventuras passam por matar monstros, fugir destes, vestir-se de Freya para conseguir roubar algo precioso, beber e comer tanto quanto possível e destruir coisas. O estereótipo daquilo que consideramos viking.
Freya não tem nada nesta história que a valha como heroína. Passa a história da mitologia toda sendo empurrada para trás e para a frente como uma peça num jogo de xadrez pela sua beleza sobre-humana, sendo usada como uma moeda de troca nos acordos que podem não correr bem. Felizmente, nos costumes nórdicos a mulher sempre teve capacidade de se defender e de falar por si, portanto ela sempre teve a autonomia de recusar pedidos de casamento.
Odin quase não aparece na história, pelo menos de forma relevante. Ele é visto como o pai da mitologia Nórdica, embora não o seja exactamente. Era a voz da razão e o patriarca das divindades Nórdicas.

As histórias contadas são aquilo que hoje identificamos como sendo tipicamente escandinavo: guerras, Valhalla como sendo o paraíso Nórdico onde todos podem beber, comer, conviver e batalhar eternamente, o estoicismo típico de quem consegue aguentar as piores intempéries e transfiguração própria de quem é um deus que tudo pode.
Os elementos mágicos e alegóricos também dão que sonhar: o martelo de Thor, a capacidade de Loki se transformar no ser que quiser, a beleza magnífica de Freya, a força dos gigantes e a eterna paciência de Odin, que pode tomar a figura e vida de quem bem lhe apetece.

A capa é lindíssima e estaria a mentir se não dissesse que foi a primeira coisa que me cativou acerca do livro. Sempre gostei de mitologia e da capacidade do ser humano de criar histórias mágicas que se repercutem pelas gerações futuras apenas através do poder da palavra, tanto narrada quanto contada.

Eu gostei da narrativa de Gaiman, foi o seu primeiro livro que li, mas a mitologia é diferente do que estava à espera. Claro que isto não é culpa do autor, mas não é um livro que ache marcante nas minhas leituras ou que tenha vontade de um dia reler.

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Author: Íris Santos

Bibliómana desde o berço, com uma queda para o drama. Criei o meu primeiro blog com 13 anos e dedicava-se mais à escrita de poemas do que à análise dos mesmos. Neste entremeio faço uma pausa na leitura e retomo com fervor aos 22 anos. Hoje, com 25 anos, decido dedicar uma maior parte do meu tempo à análise de literatura nacional e internacional emergente e a importância dos clássicos e da relação da literatura com as tecnologias. Gosto, acima de tudo, ler novos autores emergentes de literatura estrangeira sem nunca fugir a um critério de selecção muito pessoal.

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