Análise: Night

Night
Night de Elie Wiesel
A minha avaliação: 5 de 5 estrelas

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Para mim é impossível opinar a outras pessoas sobre este livro sem primeiro fazer uma citação (traduzida do meu inglês corrente) do mesmo. Nada do que eu diga terá um décimo do poder prósico que Elie Wiesel conseguiu expor pela sua própria e tétrica experiência em Birkenau e Auschwitz.


“Nunca irei eu esquecer aquela noite, a primeira noite no campo, que transformou a minha vida numa longe noite sete vezes selada.

Nunca irei eu esquecer aquele fumo.

Nunca irei eu esquecer as pequenas faces das crianças cujos corpos eu vi serem transformados em fumo sob um céu silencioso.

Nunca irei eu esquecer aqueles chamas que consumiram a minha fé para sempre.

Nunca irei eu esquecer o silêncio noturno que me privou toda a vida da vontade de viver.

Nunca irei eu esquecer esses momentos que assassinaram o meu Deus e a minha alma e transformaram os meus sonhos em cinzas.

Nunca irei eu esquecer essas coisas, mesmo sendo eu condenado a viver tanto tempo quanto o próprio Deus.

Nunca.”

Para quem ainda não leu, acredito que este versos são um pequeno exemplo daquilo que os aguarda.

Elie Wiesel era, como muitos, um filho nascido e criado na religião judaica com todos os seus costumes próprios e independente das grandes festividades cristãs.
Adolf Hitler, como todos sabem, sentia a Europa ser sufocada sob o jugo da influência e poder económico do povo judaico e, para ele, isso era um motivo forte o suficiente para levar a cabo o seu objetivo megalómano de extermínio de toda uma linhagem.

Contado com a maturidade de um adulto através do relato psicológico de uma criança, Wiesel aborda o Holocausto na primeira pessoa com muita desenvoltura verbal sem nunca apelar a sentimentalismos sensacionalistas para vender mais. O que ele expõe é a sua única e particular memória de um tempo demasiado horrível para a maior parte de nós imaginar. No entanto, mesmo ele crendo ser impossível passar um pouco sequer do horror que viveu, tiro o chapéu e dou-lhe todo o mérito por uma obra de tirar a respiração. Trata-se de um relato verdadeiro, de uma história de terror sem precedentes, da alma humana despida até à última gota de dignidade, da alma humana travestida de insensibilidade para com os seus congéneres, perpetrando uma crueldade inacreditável.

Para ser honesta, comecei a ler o livro antes de adormecer, um hábito que tenho que me ajuda a relaxar (tenho uma mente acelerada e ver as letras correr à minha frente tem um efeito suporífero), mas quando cheguei ao capítulo em que as SS vão buscar a sua família senti-me compelida a desligar o Kindle, sabia que não iria adormecer bem, mesmo sabendo o que viria a acontecer.
No entanto, mesmo abordando um tema pesado, negro da história da humanidade, aquela da qual fazemos parte, que é capaz dos atos mais atrozes assim como dos atos de maior altruísmo, é uma obra que todos deveriam ler para serem relembrados do que há de melhor e pior no ser humano. O que mais valorizei neste livro foi, sem sombra de dúvida, a dualidade contrastante numa espécie tão resoluta e resiliente como a nossa.

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