Análise: Everything You Want Me to Be

Everything You Want Me to Be
Everything You Want Me to Be de Mindy Mejia
A minha avaliação: 4 de 5 estrelas

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Everything You Want Me to Be (tradução literal: Tudo Aquilo que Queres que Eu Seja) é uma reconstrução baseada nos últimos meses de vida da bela e talentosa Hattie Hoffman.

Hattie é uma jovem de 17 anos que desde pequena quer ser atriz. Ela constrói toda a sua vida baseada nisso, atuando no palco e fora deste. Como nos conta o título, Hattie adapta a sua personalidade às circunstâncias em que se vê envolvida. Ela pretende agradar não apenas as pessoas que a rodeiam, mas também as multidões e o público. Ela vive para agradar, para a fama, para ser aplaudida. Para si, ter múltiplas personalidades é um talento e qualidade de poucos. O seu sonho é sair da pequena Pine Valley, no Minnesota, e ir para Nova Iorque, onde crê ser talentosa o suficiente para entrar na Broadway. Tendo a certeza que ela não se encaixa num meio rural que vive de competições agrícolas e jogos de futebol americano, Hattie luta para singrar na vida quando conhece o homem que a faz perder a cabeça e a vida.

Repleto de mistérios e perguntas sem resposta, esta novela leva-nos à busca incessante de quem terá matado Hattie. No fundo é um clássico “whodunit” (abreviatura de “who done it?”, usado como género para os clássicos casos de mistério em que o enredo gira à volta da descoberta do assassino) mas com uma pitada de amor proibido e riscos acrescidos.

Contada na perspetiva pessoal de três personagens, Del, o xerife do departamento de Pine Valley, Peter, o professor de inglês com quem Hattie tem um caso, e a própria Hattie, que conta a sua história desde o princípio em que conhece Peter.

Com três principais suspeitos envolvidos, ao longo da história é fácil mudar de ideias e passar a suspeitar de pessoas diferentes, como só um bom mistério o pode fazer.
Existem algumas falhas na história, mas que eu considero minúsculas, tal como a falha na descrição física de alguns personagens secundários, ou algumas situações que ficaram um pouco mal explicadas. Excetuando isso, o enredo é de pegar o leitor pelo colarinho e torna-lo incapaz de retirar a tua atenção antes de acabar o livro.

A narrativa não é notável ou digna de receber uma análise profunda. É algo que considero tipicamente americano: descritiva, diz o suficiente, e, por vezes, na sua capacidade descritiva se esconde um frio motor mecânico que leva a história avante. Tal como costumo dizer, é um livro escrito inteiramente pela história. A narrativa não tem outra função senão a de construir um esqueleto sobre a qual ela pode andar, ao contrário de outros autores que conseguem intercalar a tecnicidade da narrativa com o seu próprio talento de envolver esse mesmo esqueleto com as palavras que tornam as histórias em obras-primas.

Não obstante, deixo aqui algumas citações do livro para quem ainda não está convencido (de o ler, ou não):

“Tinha-me tornado na rapariga que sempre odiei.”

 

“Antigamente eu eu tinha a certeza que havia algo de errado comigo. Toda a gente parecia encaixar-se aqui sem o mínimo esforço.”

 

“Os livros eram finitos, um mundo contido entre duas capas que podia ser repetidos tantas vezes quantas eu virasse a primeira página. Independentemente de quanta miséria Tolstoy despoletasse ou a frequência com que Chuck Palahniuk arruinava a vida dos seus personagens, as histórias deles ficavam traçadas, inevitáveis. Podia contar com elas. Solitária e faminta por uma ligação, eu procurava os livros.”

De forma sumária, é um livro que recomendo para quem quer descontrair e gosta de page-turners.

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Author: Íris Santos

Bibliómana desde o berço, com uma queda para o drama. Criei o meu primeiro blog com 13 anos e dedicava-se mais à escrita de poemas do que à análise dos mesmos. Neste entremeio faço uma pausa na leitura e retomo com fervor aos 22 anos. Hoje, com 25 anos, decido dedicar uma maior parte do meu tempo à análise de literatura nacional e internacional emergente e a importância dos clássicos e da relação da literatura com as tecnologias. Gosto, acima de tudo, ler novos autores emergentes de literatura estrangeira sem nunca fugir a um critério de selecção muito pessoal.

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