Análise: Caraval

Caraval
Caraval de Stephanie Garber
A minha avaliação: 2 de 5 estrelas

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Lembra-te, é apenas um jogo…

Seria um jogo mais interessante, não fossem as personagens principais chatas e bidimensionais (que tomado com outro significado tornam-se sinónimos).
As irmãs Scarlett e Donatella vivem na pequena ilha de Drisda, com um pai governador que as (mal)trata com punho de ferro. Ambas crescem ouvindo histórias da avó sobre um evento chamado Caraval, um jogo de 5 noites onde tudo, o imaginável e o impossível pode acontecer. A magia torna-se real, podemos pedir que os nossos desejos se tornem realidade, trocar segredos e elixires e dias de vida por vestidos mágicos que mudam de acordo com o nosso estado de espírito. Tudo isto numa espécie de caça ao tesouro onde no fim temos direito a um desejo ou algo igualmente apetecível.

Scarlett é a típica personagem que é bondosa de mais para tornar a história interessante. A falha do livro começa logo aí.
Outro grande erro é tornar a irmã, Donatella, que mal aparece na história, no pivot sobre o qual o enredo gira. Não criando empatia com o leitor, dificilmente existe interesse da nossa parte em saber se Donatella é salva ou não. Da minha parte o interesse era bastante fraco.

Algo de positivo no livro é que ele é fácil de ler e até entretém, mas eu diria que isso é um dado adquirido nos livros de YA. Sem isso eles, provavelmente, não seriam YA.

Outra grande erro é o facto de as localizações da ilha onde Caraval toma lugar têm nomes espanhóis. Estamos a falar de um universo paralelo, de um lugar onde as coisas tomam outro sentido, outra linguagem que não existe no planeta terra. Que a narrativa e os nomes sejam inglês é compreensível, mas usar nomes espanhóis para um lugar e pessoas que não existiriam no mundo como o conhecemos é um pouco preguiçoso de mais. Castillo Maldito, Isla de los Sueños? Francamente.

E algumas destas falhas que vou colocar aqui são spoilers. Continuem a ler por vossa própria conta e risco!

  1. O romance entre a Scarlett e o Julian é demasiado óbvio. Ela não conseguiria torná-lo mais óbvio mesmo que se esforçasse.
  2. Legend, apesar de depois de vir a provar que é um actor, é um péssimo vilão. O vilão cliché que dá gargalhadas malignas e usa violência gratuita sem um bocado de terror psicológico. Acho que fiquei mal habituada aos bons vilões depois de ler American Psycho.
  3. A Tella poderia ter ficado morta. Finalmente adicionaria um sabor agridoce aos leitores para dar alguma legitimidade à história. Está toda a gente cansada dos fins felizes e perfeitos. Nem seria grande perda, já que ela era uma personagem irritante e ficou desaparecida na maior parte do livro. Na única boa oportunidade de justificar a maldade de Legend, a autora vai lá e destrói tudo.

E é por isso que eu acho que nunca vou conseguir gostar de YA em geral. Não sei como as pessoas lêem e contentam-se com isto. Parece preguiçoso, desnecessariamente arrastado e dramático no sentido lamechas. Se é para fazer vilões façam-nos com V grande.

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Author: Íris Santos

Bibliómana desde o berço, com uma queda para o drama. Criei o meu primeiro blog com 13 anos e dedicava-se mais à escrita de poemas do que à análise dos mesmos. Neste entremeio faço uma pausa na leitura e retomo com fervor aos 22 anos. Hoje, com 25 anos, decido dedicar uma maior parte do meu tempo à análise de literatura nacional e internacional emergente e a importância dos clássicos e da relação da literatura com as tecnologias. Gosto, acima de tudo, ler novos autores emergentes de literatura estrangeira sem nunca fugir a um critério de selecção muito pessoal.

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