A Sangue Frio de Truman Capote

Análise da obra A Sangue Frio de Truman Capote.Análise de Obra: A Sangue Frio

A Sangue Frio de Truman Capote
A minha avaliação: 4 de 5 estrelas

Num frio dia de Novembro de 1959, em Holcomb, Kansas, uma respeitável família de 4 membros é assassinada. Sem saber o porquê, o inspector Dewey procura fervorosamente os assassinos deste massacre. Este é o relato de uma história verídica, destacando Truman Capote como o pioneiro do género novo jornalismo.

A família de Herb W. Clutter é respeitada na pequena comunidade de Holcomb. São pessoas simples mas abastadas, que contribuem para a comunidade onde residem. O seu assassinato súbito causa não apenas choque e terror, mas uma onda de desconfiança entre vizinhos que até então jamais olhariam sobre o ombro. Numa pequena cidade onde todos eram amigos e próximos começa a assentar o receio e o desespero.

O inspector Dewey fica a cargo de liderar a operação de caça aos assassinos que são conhecidos pelo leitor desde o princípio: Dick e Perry. Dick teve uma boa infância, numa boa família, mas é aparente que sofre de uma forma de psicopatia que o impede de sentir empatia. Perry, por outro lado, teve uma infância dura e implacável. A mãe, alcoólica e negligente, abandonou Perry quando ele era ainda pequeno. Cresceu mudando de cidade e trabalhando com o pai em todo o tipo de trabalhos ingratos. Dedicou-se às guitarradas e à mecânica até começar a cometer pequenos crimes. Na cadeia de Lansing, Dick e Perry conhecem-se e começam a pensar em juntar-se após cumprirem pena.

Violando a liberdade condicional, Dick e Perry ignoram a lei e fazem-se à estrada, assaltando lojas, passando cheques falsos e penhorando bens roubados. Mas é na casa de Herb Clutter que ultrapassam todos os limites e cometem o crime mais grave de todos a sangue frio.

Fogem para o México, mas, como muitos criminosos fazem, cometem o erro de voltar ao local do crime. E esse erro acaba por ser o necessário para acabar com as suas vidas.


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Acredito profundamente, embora não conheça o género a fundo, que a maior parte dos escritores de policiais se inspiraram nesta obra pioneira da ficção policial. Capote admite em Música para Camaleões que sempre adorou escrever sobre crime e que era esse o género que mais lhe apelava.

Numa narrativa detalhada, profunda e incomparável, Truman Capote consegue capturar os detalhes da vida de uma comunidade destroçada. Detalha também o trajecto dos assassinos e o que os levou a cometer o crime, como também a investigação.

Mostra-nos também a história de vida que leva alguém a agir de forma obnóxia e detestável. A humanidade presente no livro é importante, assim como a dualidade das vítimas e dos assassinos. Como tudo não passou de um grande mal-entendido. A forma como conta a dificuldade vivida na comunidade, o terror constante após o massacre é acutilante.

O género não é o meu preferido, embora eu lhe dê todo o apreço e mérito que merece. É uma obra verdadeiramente merecedora de todas as aclamações, embora não seja o meu tipo.

A quem realmente adora crime e policiais recomendo sem reservas.

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Author: Íris Santos

Bibliómana desde o berço, com uma queda para o drama. Criei o meu primeiro blog com 13 anos e dedicava-se mais à escrita de poemas do que à análise dos mesmos. Neste entremeio faço uma pausa na leitura e retomo com fervor aos 22 anos. Hoje, com 25 anos, decido dedicar uma maior parte do meu tempo à análise de literatura nacional e internacional emergente e a importância dos clássicos e da relação da literatura com as tecnologias. Gosto, acima de tudo, ler novos autores emergentes de literatura estrangeira sem nunca fugir a um critério de selecção muito pessoal.

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