13 Livros para Quem Quer Começar a Ler Clássicos

O mundo literário pode ser arrebatador para quem conscientemente tomou a decisão de começar a ler mais. O que será que gostamos: fantasia, adulto contemporâneo, jovem adulto, não ficção, romance? E os clássicos? Os clássicos não são só para os catedráticos, os sabichões que se vangloriam do seu próprio conhecimento e sapiência? O que há, então, de especial nos clássicos para que sejam considerados para toda a gente?

É inegável que muitos clássicos remetem a outra época, a uma cultura ou classe específicas. Quando saímos do mundano e nos deparamos com livros que parecem ter saído de uma máquina do tempo em que as pessoas usavam corpete e relógio de bolso, torna-se intrigante e até mesmo assustador ler um clássico apenas por gosto. Felizmente, como diz o Professor de Filosofia da Universidade de Yale, Jeffrey Brenzel, os clássicos não só são para toda a gente como nos podem tornar melhores pessoas. Mas não tem de ser um desafio hercúleo e magnânimo. Não só existem clássicos fáceis de ler, como muitos têm as suas próprias versões simplificadas ou análises que servem de apêndice para facilitar a sua leitura, pois existem clássicos que buscam referências por vezes rebuscadas para a época em que lemos ou têm um vocabulário para lá de prático nos dias que correm. Porém, não esqueçamos, os clássicos tornam-se clássicos porque têm, pelo menos, uma das seguintes características, segundo Jeff Brenzel:

  • De uma perspectiva literária conta-nos como vivemos.
  • É uma obra que desafia paradigmas e conceitos. Criou mudanças profundas na perspectiva não só dos seus leitores mais antigos mas de todos os leitores que vieram mais tarde.
  • O trabalho estimulou, informou ou influenciou muitos outros trabalhos, quer directa ou indirectamente.
  • Muitas gerações dos melhores leitores e críticos experientes deram uma avaliação invejável à obra, concedendo-lhe a fama de uma das melhores ou a mais importante do seu género, mesmo que esses leitores não partilhem a mesma visão noutros campos e tenham discordado veementemente do trabalho.
  • A obra requer um esforço extenuante ou extremo para conseguir ser lida e compreendida, mas também recompensa grandiosamente o seu trabalho de várias maneiras.

Existem clássicos mais fáceis de compreender do que outros e eu já li alguns. Vários falam de como a sociedade caminha para o abismo, outros falam-nos sobre a forma como vivemos ou as ideias que devemos adoptar para tornar o mundo melhor para todos. Outras ainda são trabalhos de ficção tão profundos em carga emocional e/ou psicológica que se tornaram no próprio pedestal daquilo de mais belo de que o ser humano é capaz. Sem mais demora, aqui se encontra uma pequena lista desses exemplos:

Noitede Elie Wiesel

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Nascido no seio de uma família judia na Roménia, Elie Wiesel era adolescente quando, juntamente com a família, foi empurrado para um vagão de carga e transportado, primeiro para o campo de extermínio, Auschwitz, e, depois, para Buchenwald. Este é o aterrador e íntimo relato do autor sobre os horrores que passou, a morte dos pais e da irmã de apenas oito anos, e da perda da inocência a mãos bárbaras. Descrevendo com grande eloquência o assassínio de um povo, do ponto de vista de um sobrevivente, Noite faz parte dos mais pessoais e comovedores relatos sobre o Holocausto, e oferece uma perspectiva rara ao lado mais negro da natureza humana.
*Este livro está incluído no Plano de Nacional de Leitura.
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Ratos e Homens* de John Steinbeck

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Publicado em 1937, Ratos e Homens conta a história de dois pobres diabos, George e Lennie, que vivem de trabalhos episódicos e sonham com uma vida tranquila, com a hipótese de arranjar uma quinta em que possam dedicar-se à criação de coelhos. George é quem lidera, é aquele que toma as decisões e protege o seu amigo, sem no entanto deixar de depender da amizade e da força de Lennie. Este é um gigante simpático, dotado de um físico excepcional, mas mentalmente retardado. E ambos acabam por envolver-se em mil e uma complicações, quando, no rancho onde finalmente encontram trabalho, a mulher do patrão entra em cena…
*Este livro está incluído no Plano Nacional de Leitura.
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Anna Karénina de Lev Tolstói

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Anna Karénina é um retrato ímpar, na sua riqueza e densidade, da sociedade russa de finais do século XIX, que abrange diferentes estratos da população, atividades sociais, tendências ideológicas, polémicas económicas, sociais e políticas, e que encerra uma crítica acutilante à nova aristocracia russa da época. Os dramas familiares, com os seus problemas morais, a sua busca de um ideal para a vida em matrimónio, surgem em franca ligação com o panorama geral da vida, o sistema de valores, os hábitos, os conceitos éticos e religiosos. Mas é também uma das maiores histórias de amor da literatura universal, e uma das mais trágicas, protagonizada por Anna Karénina, a bela mulher de um aristocrata muito rico e o Conde Vrônsky, um galante oficial do exército. Com Anna Karénina, Lev Tolstói elevou à perfeição o romance de realismo social e criou uma das heroínas mais amadas da literatura de todos os tempos.

O Homem em Busca de um Sentido de Viktor E. Frankl

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Nos seus momentos de maior sofrimento, no campo de concentração, o jovem psicoterapeuta Viktor E. Frankl entregava-se à memória da sua mulher – que estava grávida e, tal como ele, condenada a Auschwitz. Conversava com ela, evocava a sua imagem, e assim se mantinha vivo. Quando finalmente foi libertado, no fim da guerra, a mulher estava morta, tal como os pais e o irmão. No entanto, ele alimentara-se de outro sonho enquanto estava preso, e, este sim, viria a realizar-se: projetava-se no futuro, via-se a falar perante um público imaginário, e a explicar o seu método para enfrentar o maior dos horrores. E sobreviver. Viktor E. Frankl sobreviveu. E até morrer, aos 92 anos, divulgou por todo o mundo o método desenvolvido no campo de concentração – a Logoterapia.

O psicoterapeuta descobriu que os sobreviventes eram aqueles que criavam para si próprios um objetivo, que encontravam um sentido futuro para a existência – fosse ele, por exemplo, cuidar de um filho ou escrever um livro. Em O Homem em Busca de um Sentido, escrito em 1946, o autor narra na primeira parte a sua dramática luta pela sobrevivência. E na segunda, em breves páginas, sintetiza os mais de 20 volumes ao longo dos quais desenvolveu o seu método – aplicável a qualquer pessoa, em qualquer circunstância da vida.
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Paris é uma Festa de Ernest Hemingway

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Em 1921, um jovem Ernest Hemingway chega a Paris decidido a abandonar o jornalismo e a iniciar carreira como escritor. De bolsos vazios e com a cabeça povoada de sonhos, percorre as ruas de uma cidade vibrante nos dias de pós-Primeira Guerra Mundial, senta-se nos seus cafés para escrever, recolhe-se em retiros apaixonados com a sua primeira mulher, Hadley, e partilha aprendizagens e aventuras com algumas das mais fulgurantes figuras do panorama literário da época, como Ezra Pound, F. Scott Fitzgerald ou a madrinha desta – por si apelidada – «geração perdida», Gertrud Stein. Situada entre a crónica e o romance, Paris é uma Festa é a memória destes anos e a obra mais pessoal e reveladora de Hemingway. Deixada inacabada pelo autor, seria publicada postumamente, em 1964.
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As Vinhas da Irade John Steinbeck

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Na década de 1930, as grandes planícies do Texas e do Oklahoma foram assoladas por centenas de tempestades de poeira que causaram um desastre ecológico sem precedentes, agravaram os efeitos da Grande Depressão, deixaram cerca de meio milhão de americanos sem casa e provocaram o êxodo de muitos deles para oeste, rumo à Califórnia, em busca de trabalho. Quando os Joad perdem a quinta de que eram rendeiros no Oklahoma, juntam-se a milhares de outros ao longo das estradas, no sonho de conseguirem uma terra que possam considerar sua. E noite após noite, eles e os seus companheiros de desdita reinventam toda uma sociedade: escolhem-se líderes, redefinem-se códigos implícitos de generosidade, irrompem acessos de violência, de desejo brutal, de raiva assassina. Este romance que é universalmente considerado a obra-prima de John Steinbeck, publicado em 1939 e premiado com o Pulitzer em 1940, é o retrato épico do desapiedado conflito entre os poderosos e aqueles que nada têm, do modo como um homem pode reagir à injustiça, e também da força tranquila e estoica de uma mulher. As Vinhas da Ira é um marco da literatura mundial.
*Este livro está incluído no Plano Nacional de Leitura.
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Cosmosde Carl Sagan

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Carl Sagan trata de tudo: ‘Cosmos é tudo o que existiu, existe ou existirá.’ O que o olhar humano alcança e, mais longe ainda, o que a mente humana alcança. Leva-nos numa viagem para a frente no espaço e para trás no tempo. Faz-nos sonhar! Poder-se-á pedir mais de um livro?
– Carlos Fiolhais, físico

Carl Sagan é recordado como um dos maiores astrónomos de sempre, não só pelas suas contribuições exemplares para as ciências planetárias e a astrobiologia, mas por ter sido um extraordinário divulgador e comunicador de ciência. Visionário no estudo do sistema solar, a sua elegante, clara e inteligente forma de escrita ganhou, graças ao livro Cosmos, imensos adeptos e chegou a públicos até então afastados da ciência. A par do Mensageiro dos Céus, de Galileo Galilei, Cosmos é um livro maior na divulgação da astronomia: o livro e a série de TV que o acompanha serão para sempre considerados um dos acontecimentos mais importantes da história da divulgação cientifica. Cosmos é um livro para ler, reler e será sempre uma inspiração e motivação para descobrir o Universo que nos rodeia.
– Pedro Russo, coordenador Global do Ano Internacional da Astronomia 2009

Em Cosmos, porventura pela primeira vez na literatura, são transmitidos com inteligência e emoção tocantes, a ideia e o sentimento de uma cidadania… cósmica.
*Este livro está incluído no Plano Nacional de Leitura.

Um Conto de Duas Cidades de Charles Dickens

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‘Um conto de duas cidades’ apresenta aventura, romance e tragédia e teve como inspiração a obra ‘História da Revolução’. Dickens nesta obra uma pintura da Revolução Francesa. O autor evita o posicionamento político, centrando a narrativa nas observações de cunho social e no impacto individual que aquele processo impingiu ao aristocrata, ao burguês, ao camponês, ao malandro, ao vagabundo. De um lado, são apresentadas personagens como o ex-prisioneiro da Bastilha, doutor Manette; Charles Darnay, o aristocrata que rompe com a família e com sua classe social; o senhor Lorry, a personificação do inglês sistemático e virtuoso; a senhora Defarge, face cruel e impiedosa das jacqueries; o enigmático Sidney Carton, aquele que confere à trama o que ela tem de mais romanesco. Todos eles de personalidades marcantes, na melhor tradição do romance folhetinesco. De outro lado, contrapõe-se a multidão – o povo miserável de Paris e de seus arrabaldes, ora animalizado na pobreza à qual os empurrou uma voraz aristocracia, ora plateia ensandecida do espetáculo dantesco de ‘La Guillotine’.
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Cem Anos de Solidão de Gabriel García Márquez

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«Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o coronel Aureliano Buendía haveria de recordar aquela tarde remota em que o pai o levou a conhecer o gelo.» Com estas palavras – tão célebres já como as palavras iniciais do Dom Quixote ou de À Procura do Tempo Perdido – começam estes Cem Anos de Solidão, obra-prima da literatura contemporânea, traduzida em todas as línguas do mundo, que consagrou definitivamente Gabriel García Marquez como um dos maiores escritores do nosso tempo. A fabulosa aventura da família Buendía-Iguarán com os seus milagres, fantasias, obsessões, tragédias, incestos, adultérios, rebeldias, descobertas e condenações são a representação ao mesmo tempo do mito e da história, da tragédia e do amor do mundo inteiro.
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Crime e Castigo* de Fiódor Dostoiévski

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Raskolnikoff, um jovem estudante de Direito a atravessar graves dificuldades económicas, decide matar uma velha agiota. Imbuído de um forte sentido de justiça social, vai executar o seu plano convicto de que é uma gesta digna apenas de homens extraordinários. Mas algo inesperado acontece, e Raskolnikoff acaba por perder totalmente o controlo da situação. Daí em diante, passará a viver atormentado por um fortíssimo sentimento de culpa, forma de inferno interior que não se extingue e exige expiação.

Dostoievski imprime grande espessura e densidade psicológica às suas personagens, cujas motivações, sejam elas conscientes ou inconscientes, são exploradas de forma verdadeiramente inovadora.
*Este livro está incluído no Plano Nacional de Leitura.
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O Retrato de Dorian Gray* de Oscar Wilde

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Nesta obra, a personalidade dividida de Dorian Gray é representada por uma inversão misteriosa da ordem natural, através da qual a sua verdadeira face conserva a juventude inviolada enquanto o retrato é macerado pelo passar dos anos, até ao dia em que a faca cravada na tela reconduz à arte a sua serenidade impassível e ao ser vivo a sua transição para a morte.
*Este livro está incluído no Plano Nacional de Leitura.
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A Quinta dos Animais de George Orwell

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À primeira vista, este livro situa-se na linhagem dos contos de Esopo, de La Fontaine e de outros que nos encantaram a infância. Tal como os seus predecessores, Orwell escreveu uma fábula, uma história personificada por animais. Mas há nesta fábula algo de inquietante. Classicamente, atribuir aos animais os defeitos e os ridículos dos humanos, se servia para censurar a sociedade, servia igualmente para nos tranquilizar, pois ficavam colocados à distância, «no tempo em que os animais falavam», os vícios de todos nós e as sua funestas consequências. Em A Quinta dos Animais o enredo inverte-se. É a fábula merecida por uma época – a nossa época – em que são os homens e as mulheres a comporta-se como animais.
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Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley

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Admirável Mundo Novo é uma parábola fantástica sobre a desumanização dos seres humanos. Na utopia negativa descrita no livro, o Homem foi subjugado pelas suas invenções. A ciência, a tecnologia e a organização social deixaram de estar ao serviço do Homem; tornaram-se os seus amos. Desde a publicação deste livro, o mundo rumou a passos tão largos na direcção errada que, se eu escrevesse hoje a mesma obra, a acção não distaria seiscentos anos do presente, mas somente duzentos. O preço da liberdade, e até da simples humanidade, é a vigilância eterna.

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Author: Íris Santos

Bibliómana desde o berço, com uma queda para o drama. Criei o meu primeiro blog com 13 anos e dedicava-se mais à escrita de poemas do que à análise dos mesmos. Neste entremeio faço uma pausa na leitura e retomo com fervor aos 22 anos. Hoje, com 25 anos, decido dedicar uma maior parte do meu tempo à análise de literatura nacional e internacional emergente e a importância dos clássicos e da relação da literatura com as tecnologias. Gosto, acima de tudo, ler novos autores emergentes de literatura estrangeira sem nunca fugir a um critério de selecção muito pessoal.

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