12 Livros de Não Ficção que Nos Tornam Mais Sábios

A literatura de não ficção tem, como principal objectivo, elucidar-nos sobre assuntos dos quais temos apenas uma pequena ideia, normalmente pré-concebida, quando o tema é muito mais profundo. Felizmente, graças aos especialistas, filósofos, professores, repórteres e outros profissionais que decidem escrever extensivamente sobre o assunto sobre o qual se decidiram debruçar, podemos aprender de cabo a rabo sobre qualquer coisa que queiramos. Basta ter força de vontade, algum tempo, e uma mente aberta.

Aqui fiz uma colecção de variados temas que vocês poderão achar interessantes. Nem todos os livros têm tradução para português, mas valem a pena ser lidos.

Maus de Art Spiegelman

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Relatando os horrores do Holocausto, Vladek Spiegelman captura a realidade quotidiana de medo e tem a capacidade de explorar a culpa, alívio e sensação extraordinária de sobrevivência – e como os filhos de sobreviventes estão, por defeito, afectados pelas provações dos seus pais. Uma clássico contemporâneo de importância imensurável.

 

 

 

 

 

The Truth: An Uncomfortable Book About Relationships de Neil Strauss

The Truth: an Uncomfortable Book About Relationships de Neil Strauss

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Neil Strauss, escritor para o famoso The New York Times, descreve a sua relação com a namorada, assim como a sua relação com o mundo dos vícios, mais propriamente o vício por sexo e drogas e os efeitos que isso pode ter na sua vida amorosa. Ele relata a sua jornada passando pelo centro de reabilitação, a experiência adquirida em diferentes tipos de relacionamentos alternativos ao monogâmico e acaba concluindo com uma verdade que nos é importante a todos. É um livro ainda extenso, brutal e honesto, mas que vale cada segundo de leitura. Podem ler a minha análise em inglês aqui.

 

 

Breve História de Quase Tudo de Bill Bryson

Breve História de Quase Tudo de Bill Bryson 

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Se têm interesse pela ciência em geral mas ainda não leram nenhum livro sobre o assunto, recomendo este sem a mínima dúvida. Este é o livro que conta de forma breve os acontecimentos mais importantes da história da ciência e as suas descobertas: Big Bang, os dinossauros, o aquecimento global, geologia, Einstein, os Curies, a teoria da evolução, a gasolina com chumbo, a teoria atómica, os quarks, os vulcões, os cromossomas, o carbono, os organismos edicarianos, a descontinuidade de Moho, o ADN, o Charles Darwin e um zilião de outras coisas. É dos livros mais bem estruturados e completos que já vi. É difícil encontrar pontos falhos. A obra vale desde a primeira frase à última.

 

Persépolis de Marjane Satrapi

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Persépolis é a história inesquecível da infância e puberdade de Satrapi no seio de uma família terna no Teerão durante a revolução islâmica. Uma das contradições entre a vida pública e a vida privada num país assolado pela revolta política; dos seus anos na escola secundária em Viena confrontando as provações da adolescência longe da sua família; do seu regresso a casa – tão doce quanto terrível; e, finalmente, do seu exílio de vontade própria longe do seu país. Isto é a crónica do crescimento de uma menina, primeiramente escandalosa e familiar, uma vida jovem entrelaçada com a história do seu país, mas ainda assim cheia de provações universais e as alegrias da puberdade.

Subversivo, acutilante e cândido, muitas vezes de partir o coração, mas misturado com o seu humor cru e sabedoria adquirida através de muita dificuldade, Persépolis é um trabalho fantástico de uma das maiores artistas gráficas de hoje.

 

A Teoria de Tudo: A Origem e o Destino do Universo de Stephen Hawking

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Grande divulgador de ciência mas também cientista brilhante, Hawking acredita que os avanços da física teórica devem «poder ser compreendidos pelo grande público, e não apenas por alguns cientistas». Neste livro, propõe-nos a extraordinária aventura da descoberta do cosmos e do nosso lugar nele. Em sete lições, responde à curiosidade de todos aqueles que já olharam fascinados para o firmamento e se perguntaram o que há lá em cima e como foi lá parar.

Hawking começa com a história das teorias do universo, desde Aristóteles, que afirmou que a Terra era redonda, até à descoberta de Hubble, mais de dois mil anos mais tarde, de que o universo se encontra em expansão. Partindo daí, explora os confins da física moderna, incluindo as teorias da origem do universo e a natureza dos buracos negros e do espaço-tempo. Da sua investigação na área dos buracos negros, a que se dedicou durante mais de uma década, afirma: «é um pouco como procurar um gato preto numa carvoaria». Por fim, levanta algumas questões da física moderna que continuam sem resposta, especialmente como combinar todas as teorias parciais numa «teoria da unificação de tudo». «Se descobrirmos a resposta a esta questão», declara, «atingiremos o triunfo máximo da razão humana – porque então conheceremos a mente de Deus.»

 

Thanking the Monkey: Rethinking the Way We Treat Animals de Karen Dawn

O movimento pelos direitos dos animais atingiu o seu pico. Não sendo apenas mais uma causa extremista na penumbra, tornou-se uma preocupação social que membros líderes da sociedade endossam e jovens abraçam. Desde os escândalo com lutas de cães de Michael Vick ao bestseller de dieta vegetariana Skinny Bitch, as temáticas nos direitos dos animais chegaram as cabeçalhos dos jornais – e estão a ser espalhados pelos estudantes e senadores, estrelas pop e produtores, actores e activistas.

Não queres fazer parte da conversa? Em Thanking de Monkey, Karen Dawn fala de animais de estimação, pêlo e peles, moda, comida, testes em animais, activismo e mais. Mas, como o título sugere, isto não é como os livros anteriores sobre direitos dos animais. Thanking the Monkey é a luz que incide sobre as lições que nos fazem sentir culpados se não formos os veganos que se livram do cabedal. O livro diverte-te enquanto aprendes sobre o amor que Paul McCartney sente por cordeirinhos, e por que é que Prince não veste lã. Irás conhecer Andy Hurley dos Fall Out Boy e Pete Wents – e o seu amigo de viagem preferido, Hemingway, o cão de Pete. Irás ler por que é que Natalie Portman, Alicia Silverstone, e tantos outras actrizes magras mas não insuportáveis não comem ou vestem animais. Vais rir-te com as dezenas de ilustrações de Dan Piraro.

Este livro providencia algumas surpresas sérias em forma de factos e figuras sobre o nosso tratamento imposto aos animais. Sim, irá chocar-te com histórias de primatas usados em testes com nicotina ou mortos por um produto anti-gordura. Também irá abrir-te os olhos e fazer-te rir um pouco enquanto procuramos uma maneira de agradecer ao macaco.

Terry Jones’ Medieval Lives de Terry Jones

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Famoso por satirizar o mundo medieval em Monty Python and the Holy Grail, Terry Jones tem uma paixão verdadeira por conhecimento detalhado da Idade Média. Em Terry Jones’ Medieval Lives, a sua missão é resgatar a Idade Média dos clichés comidos por traças e trivialidades desgastadas. Atrás dos estereótipos de “donzelas em apuros” e “cavaleiro da armadura resplandecente”, existem histórias maravilhosamente humanas que nos trazem esse período da vida. Terry começará com os arquétipos medievais – o Cavaleiro, o Camponês, a Donzela, o Monge, o Fora-da-Lei, o Rei, o Mercador, e Médico – e no decurso do desenvolver do seu papel e funciona na socidade medieval, irá introduzir uma horda colorida de personagens da vida real, recriando o seu mundo ao visitar os seus lugares principais.

Escravas do Poder de Lydia Cacho

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Do Japão ao Cambodja, da China ao Porto Rico, do México à Rússia, o tráfico sexual de mulheres e crianças é uma prática banal e globalizada que ocorre sob os nossos narizes, destrói famílias, mentalidades, vidas parcamente vividas, levanta barreiras de preconceito e afastamento.

Lydia Cacho, jornalista mexicana e feminista activista na luta pelos direitos das mulheres, embarcou numa viagem pelo turismo sexual à escala global; recolhe informação e dados estatísticos sobre o lucro de um negócio que vive da apatia e crueldade imposta sobre mulheres e crianças retiradas de países pobres com o propósito de abrir os olhos aos leitores sobre uma realidade muito mais comum do que se pensava. Também ela, enquanto mulher, sofreu ameaça de morte várias vezes, assim como também se colocou na linha de risco para conseguir abordar as mulheres que viviam para lá da barreira invisível e quase intransponível do mercado negro.

Numa linguagem fluida e transparente, Cacho divide as informações por país, pelas experiências das mulheres, advogados, instituições não-governamentais e activistas que entrevistou e por colegas de jornalismo que lhe concederam informações até antes não divulgadas.
Sendo também mulher, Lydia sentiu-se afectada pelos relatos de carácter obscuro, cruel e tétrico da realidade de mulheres que tinham a sua mentalidade formatada e moldada ao formato imposto por traficantes e proxenetas a que pertenciam enquanto objectos de prestação de serviços sexuais como meros receptáculos de frustrações e expectativas da virilidade do homem enquanto ser masculino numa sociedade que vive de afirmações e aparências. A sua clientela consiste de pais de família, políticos, celebridades, líderes religiosos, atletas e CEOs de grandes corporações industriais.

Considero esta obra sucinta e muito bem construída como um must-have a qualquer pessoa que queira estudar a complexidade do mercado negro dos dias de hoje, assim como qualquer leitor interessado nos direitos humanos e feminismo. Este livro leva-nos a entender a rede de inúmeros braços que se estende a todos os cantos do planeta de onde retira mulheres e crianças e as coloca em bordéis ilegais mantidos sob o disfarce de karaoke bars ou casinos onde esse mesmo lucro da exploração é lavado. Um mundo onde as pessoas são apenas objetos e números à disposição de um qualquer. Leiam aqui a minha análise.

The Sexual Politics of Meat: A Feminist-Vegetarian Critical Theory de Carol Adams

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The Sexual Politics of Meat é a exploração controversa e inspiradora de Carol Adams sobre as ligações entre a misoginia internalizada da sociedade moderna e a sua obsessão com carne e masculinidade. Publicado pela primeira vez em 1990, o livro tem vindo continuamente a mudar as vidas de dezenas de milhares de leitores na segunda década do século XXI.

O Homem em Busca de um Sentido de Viktor E. Frankl

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Nos seus momentos de maior sofrimento, no campo de concentração, o jovem psicoterapeuta Viktor E. Frankl entregava-se à memória da sua mulher – que estava grávida e, tal como ele, condenada a Auschwitz. Conversava com ela, evocava a sua imagem, e assim se mantinha vivo. Quando finalmente foi libertado, no fim da guerra, a mulher estava morta, tal como os pais e o irmão. No entanto, ele alimentara-se de outro sonho enquanto estava preso, e, este sim, viria a realizar-se: projectava-se no futuro, via-se a falar perante um público imaginário, e a explicar o seu método para enfrentar o maior dos horrores. E sobreviver. Viktor E. Frankl sobreviveu. E até morrer, aos 92 anos, divulgou por todo o mundo o método desenvolvido no campo de concentração – a Logoterapia.

O psicoterapeuta descobriu que os sobreviventes eram aqueles que criavam para si próprios um objectivo, que encontravam um sentido futuro para a existência – fosse ele, por exemplo, cuidar de um filho ou escrever um livro. Em O Homem em Busca de um Sentido, escrito em 1946, o autor narra na primeira parte a sua dramática luta pela sobrevivência. E na segunda, em breves páginas, sintetiza os mais de 20 volumes ao longo dos quais desenvolveu o seu método – aplicável a qualquer pessoa, em qualquer circunstância da vida. Ler aqui a minha análise.

O Lado Selvagem de Jon Krakauer

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Baseado no caso real de Christopher McCandless, um jovem de vinte e dois anos que, ao terminar a faculdade, doou todo o seu dinheiro a uma instituição de caridade, mudou de identidade e partiu em busca de uma experiência genuína que transcendesse o materialismo do quotidiano. Começando a sua viagem pelo Oeste americano, Christopher dá igualmente início a uma aventura que mais tarde viria a encher as páginas dos jornais e que termina com a sua morte no Alasca. Uma morte misteriosa… Acidental ou propositada? Um livro comovente que cativa o leitor pela forma como é retratada a força indomável de um espírito rebelde e lírico.

O Segundo Sexo (vol. I) e (vol. II) de Simone de Beauvoir

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Não é fácil colapsar esta imensa obra e marco da literatura do século XX em apenas alguns parágrafos. É uma extensa obra de arte que abarca a vida da mulher tal como ela é, da nascença à morte. Se existe ponto de partida pelo qual alguém deve começar a ler sobre a emancipação da mulher na sociedade, O Segundo Sexo é, sem dúvida, a escolha acertada.

Em quase 900 páginas divididas em capítulos que se debruçam sobre os vários aspetos da vida da mulher, Beauvoir consegue fazer um reflexo fenomenal, detalhado e meticuloso do papel da mulher na sociedade enquanto pessoa maioritariamente desprovida de direitos. Faz distinções na forma como ambos os géneros são tratados a partir do momento da nascença, fala dos mitos e factos da vida da mulher e das suas tarefas domésticas e em sociedade e da forma como até mesmo na mitologia os deuses masculinos tinham sempre uma presença predominante, enquanto a feminina ocupava apenas um papel secundário.

No segundo volume, Simone  explora a fundo as condições físicas, sentimentais, psicológicas e sentimentais das mulheres lésbicas, crianças, adolescentes, jovens adultas, casadas, mães, maduras e idosas, enquanto isso explora também a alma da mulher apaixonada, religiosa e cativa na sua condição feminina.
No fim deste volume ela fala da mulher independente e de, apesar de já se ter conquistado arbitrariamente muita coisa, ainda temos um longo caminho pela frente.

A inteligência, capacidade de raciocínio e entendimento da condição feminina de Simone vão para além da esfera humana. A sua compreensão do ser humano e a sua desenvoltura frásica permitem que este seja um livro de grande reflexão. Mesmo quando um dia já não for um exemplo a seguir pela opressão que ainda existe, será um bom livro para ser estudado nas aulas de história e sociologia. Uma obra intransponível. Leiam aqui a minha análise.

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Author: Íris Santos

Bibliómana desde o berço, com uma queda para o drama. Criei o meu primeiro blog com 13 anos e dedicava-se mais à escrita de poemas do que à análise dos mesmos. Neste entremeio faço uma pausa na leitura e retomo com fervor aos 22 anos. Hoje, com 25 anos, decido dedicar uma maior parte do meu tempo à análise de literatura nacional e internacional emergente e a importância dos clássicos e da relação da literatura com as tecnologias. Gosto, acima de tudo, ler novos autores emergentes de literatura estrangeira sem nunca fugir a um critério de selecção muito pessoal.

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